Páginas ao vento

sábado, 16 de outubro de 2010

O Corpo Como Muro.

Muitas são as explicações encontradas para o fato de uma pessoa inscrever na própria pele imagens, nomes e sinais que permanecerão permanentemente em sua companhia. Mesmo tendo que conviver não apenas com essas assinaturas, mas com o olhar do outro sobre si durante seu caminhar pelo mundo e, consequentemente, pelo mercado conservador em que vivemos.
Nossa sociedade atual carrega a contradição entre a normalização do tráfego de imagens corporais que contagia não somente aos jovens e a negação em expô-los à mostra em serviços onde há contato público e àqueles da saúde.
Nossas tatuagens são feitas sob encomenda para ficarem cobertas pelas roupas, são mostradas em pequenos deslizes, flagrantes íntimos, porém ainda nos incomodam e fascinam. Podem nos indicar que somos prisioneiros da marginalidade em voga, menos sombrios em seus motivos pictórios do que nos tempos mais antigos em que surgiu entre os povos mais urbanizados.
Tenho a sensação de que a Tatoo acabou fazendo parte da ampliação de uma vontade estética que culmina nas deformações plásticas sobre o corpo humano em que o jogo do mostra/esconde não se faz mais necessário como afirmação de valores grupais, ou de ritos de passagem.
O que era escondido e mal revelado, se faz bonito.

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