Páginas ao vento

sábado, 30 de outubro de 2010

Símbolos, Símbolos!

Há um trecho de um poema de Fernando Pessoa que gosto muito:

Símbolos,
Símbolos,
Tudo são símbolos.
Serás tu
Um símbolo também?

Pois creio, estar ele (Pessoa) um tanto correto.
Dias atrás ao rezar para Nossa Senhora (sim, eu rezo cotidianamente!), pedi luz não só para mim, mas também para meus amigos de ambos os lados. E me aconteceu um estranhamento que me leva a pensar sobre esta questão do simbólico. Ao tentar amparar a queda de minha motocicleta (266Kg.), devido a uma escorregadela na oficina em que eu a levara para regulagem das válvulas, feri minha mão esquerda! Fiquei a pensar se isto estaria implicado no abandono de meu mal. Sinal de que eu poderia estar me tornando uma Pessoa melhor e pagando o custo por isso.
Ainda não resolvi sobre a possibilidade do ocorrido ser real a partir dos acontecimentos e de suas ligações com o simbólico.
Penso que, para que haja entendimento de uma comunicação é necessário que dominemos com amplitude o universo do simbólico que paira sobre nós, que o transformemos em palavras, em comunicação inteligível. Porém, para que isso ocorra, também o receptor há que dominar este universo e compreendê-lo. Ocorre que como a ausência da literatura e da informação escrita entre nossa juventude é exacerbada, está havendo uma deficiência no sentido da apreensão simbólica de nossas realidades. Está havendo uma transformação cultural drástica, onde a esperança de modificações profundas na sociedade ficará restrita à beira da praia, ou seja, estamos nadando, atualmente, em água rasa!
Como também nossa geração perdeu o antigo costume da oralidade, do contar histórias, a novíssima geração de humanos que aí está, não possui interesse ao acesso desse universo. Bem, diriam alguns, mas dominam a tecnologia! Ora, pois é exatamente isso: seremos técnicos em tudo! Há que se repensar a educação futura com uma base mais filosófica para que não percamos nossa humanidade, pois as humanidades e suas disciplinas, estão sendo as primeiras e grandes vítimas. Um amigo me dizia recentemente que, para ser um excelente profissional, em qualquer área, o diferencial que assim o tornaria era a inserção de: literatura, filosofia e história em sua vida.
Talvez o mal não nos abandone e não haja esperanças de melhores relacionamentos humanos, pois Pandora, ao abrir a caixa, ao contrário do mito, não deixou nada dentro dela.

Pandora, a mulher que, segundo a mitologia, fodeu com a humanidade.

Pandora Cassini, a pedra.

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