Páginas ao vento

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Detalhes!

Schopenhauer em sua construção do mundo como representação coloca o Pralaya budista (o descanso do criador) como não ser. Mas, como não existe o tempo, que é percepção fenomênica do humano material, não existe não ser e, muito menos, ser: apenas um eterno vir a ser, pois que a percepção de ser se torna memória e, portanto, para nós, passado, como tudo o que nos rodeia a partir das referências materiais. Basta que olhemos para as estrelas! Entretanto nos Upanichades lemos “[...] Sou todas estas criaturas em conjunto, e fora de mim não há nenhum outro ser [...]”, pois que não há fora no sentido de exterioridade, estamos imersos na manifestação (o Deus das religiões).
O filósofo está se referindo à vontade objetiva na percepção do mundo e aplica o conceito de Maya (ilusão) sobre tudo o que é perecível. Como o mundo em que vivemos é o da experiência, este é transitório e portanto, apesar de real para nós que vivemos neste plano, passageiro, porém, jamais uma ilusão no sentido de delírio fora de uma realidade.
Os Upanichades afirmam a realidade deste plano material como sendo a sombra da verdadeira manifestação (que se dá no invisível – plano da vida com outra frequência vibratória e que nós, comuns mortais não o percebemos e assim, o chamamos de invisível). É de onde Platão retirou a ideia da caverna. Só que no texto sânscrito, menciona-se “tela branca” onde é possível ver as projeções das manifestações, que para os espíritas seria a verdadeira vida, no astral. A afirmação bíblica “ assim como é encima, é embaixo” (assim no céu como na terra), tenta nos passar essa ideia, apesar de forma muito velada. A noção de que formamos representações sobre todas as coisas a partir do conhecimento de si mesmo, tenta mostrar como generalizamos ideias conceituais na tentativa de classificar o entendimento do mundo de maneira organizada, o que nos limita a compreensão de coisas que não se manifestam aos nossos olhos. A racionalização nos impede de sentir o mundo. A intuição seria a única possibilidade de compreender que não somos separados da natureza (mundo, ou universo). Isto é budismo, que é verdadeiramente holista, como o RigVeda, além de ser poesia. Cito novamente o filme “Contato” (com a Jodie Foster da década de '90). “_Vocês deveriam ter mandado um poeta” ela fala ao tentar descrever sua experiência através das galaxias. A razão restringe demais o que se vê e o que se sente, pois conceitua a partir de nossa experiência fenomênica fazendo descrer as experiências interiores. Poderíamos dizer: assim como é dentro é fora, e, assim, o universo se abriria para nossa compreensão, a própria noção de eternidade (o agoramente dos gregos) e uma verdadeira experiência numismática se nos revelaria.
Como colocar estas experiências “interiores” em palavras que, para que tenham sentido, necessitam de um aparato simbólico que as organize sensitivamente? Por isso a arte se faz necessária juntar à ciência para que expandíssemos nossas noções limitadas por educação condicionada à época. Ou como diz Lévi-Strauss, acrescentar mais pensamento metafórico ao metonímico. Temos tecnologia de última geração e mentalidade de penúltima (geração). A poesia pode nos libertar dos dogmas massificadores e enclausuradores que nos impedem de avançar na construção intuitiva de nossas representações sobre a vida, e de olharmos o outro, como a nós mesmos.
                                                 Claude Lévi-Strauss em sua biblioteca

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