Utopia!
Uma sociedade mais justa não existirá nunca. Pois a noção de justeza - qualidade do que é justo, exato, preciso, certo - (diferente de justiça), social não se adequa à mentalidade atual que tem como nexo o mercado, o consumo, como inseridor da pessoa no contexto de cidadania e de sujeito.
Esse nexo pressupõe competitividade, na dualidade, com foco no individuo contra o outro. Uma música que encontramos no CD “Tudo foi feito pelo sol” dos Mutantes (sem Rita Lee), diz assim: “estão dizendo que é pra competir, mas eu só penso em te abraçar, não há nada na vida que me faça parar de amar! Estão dizendo que é pra eu te passar pra trás, mas eu só penso em te ajudar, não há nada na vida que valha eu parar de te amar”, vem mostrar o último bastião do romantismo, de uma juventude que ainda tentava a ideia da harmonia no coletivo. Portanto, a crença na possibilidade de uma sociedade mais justa.
Mas, no budismo, há uma pergunta para o neófito sobre como ele acha que é o mundo: sofrimento, é a resposta. A maneira de transformar-se em uma pessoa melhor e, consequentemente, transformar a sociedade por irradiação das atitudes, se dá pelo sofrimento. Transformar o sofrimento em luz!
Diz-se que só assim podemos calcar em nosso espírito as transformações para melhor em nós mesmos, mas, em uma sociedade sofredora como a nossa e uma sociedade composta de pessoas desinformadas sobre possibilidades de transformação, já que transformar para melhor implica ter coisas materiais para se sentir feliz, o sofrimento é tido como um incômodo que deve ser eliminado.
Assim, perde-se a oportunidade do aprendizado, já que negamos todas situações que nos incomodam e o consumo, nos traz alegrias efêmeras, fugazes, de um círculo vicioso atroz. Não vou repetir-me aqui no blá-blá-blá sobre sociedade de consumo, consumidores cidadãos, etc, etc. Apenas vou fazer notar que por estarmos desinformados sobre como nos transformarmos para melhor e por não termos atenção em nossos sofrimentos cotidianos, estamos perdendo a noção do melhoramento e continuamos caindo nos mesmos problemas que nos levam a novos sofrimentos.
É um círculo vicioso necessário para a manutenção do Status Quo. O filme: “what's so bad about feeling good?”, de 1968 (não me lembro do diretor), expõe este círculo vicioso das más necessidades institucionais – hospícios, hospitais, polícia, políticos – ao nos mostrar um vírus transmitido por um pássaro em uma grande cidade americana que, ao contaminar toda a população, a torna amável. Os casamentos proliferam, os divórcios diminuem, a agressividade se esvai, as pessoas deixam de consumir álcool e drogas e a comunidade se torna pacífica. Há a luta das autoridades na tentativa de evitar que a epidemia se alastre levando a sociedade (comercial) à ruína. Pois há uma dependência entre o funcionamento institucional atual e os horrores a que seus cidadãos são obrigados e acostumados a viver cotidianamente. É uma interdependência, ou seja, uma doença necessária da qual a sociedade vigente necessita de seus piores aspectos para funcionar da maneira que conhecemos.
Me parece, através de um distanciamento antropológico, que isso é real. Não há nada anunciando possibilidades de mudanças estruturais, ou mesmo de reforma das piores situações vigentes na atualidade nacional. A única saída que vejo, é pela via da educação, mas, os governos demitem, ou forçam a se demitir, pessoas empenhadas minimamente na realização destas mudanças/reformas. Cito dois casos: Cristóvão Buarque na educação e Marina Silva no meio-ambiente.
Para não politizar a conversa, digo que como somos anestesiados pela necessidade da massa, e isso implica questões quantitativas em detrimento das qualitativas, jamais observaremos as possibilidades que os atuais sofrimentos a que somos imersos se tornem potências alteradoras de quaisquer situações. Ou, em palavras mais simples, não há saída! Estamos imersos na barbárie!
Sou teu fã confesso meu querido!
ResponderExcluirParabéns pelo texto!
TROP
Thanks Trops! Estou a toda!
ResponderExcluirClaudio com suas colocações magnificas, e pela sóciedade só um milagre!
ResponderExcluirPois é! Fico a tentar, tentar...
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